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Eletroencefalograma

O exame que escuta a atividade elétrica do cérebro

Os neurônios se comunicam por impulsos elétricos. O eletroencefalograma capta esses impulsos na superfície do couro cabeludo e os transforma em um traçado contínuo, que o médico interpreta junto com o seu quadro clínico.

Leitura do traçado

O que o traçado mostra

A atividade elétrica do cérebro não é uma linha só: ela se organiza em faixas de frequência, chamadas ritmos. Cada faixa predomina em um estado diferente — vigília, sonolência, sono profundo.

O que o médico analisa é o conjunto: quais ritmos aparecem, em que regiões da cabeça, com que simetria, em que estado do paciente e se surgem descargas que não deveriam estar ali. Uma alteração só tem significado dentro desse contexto.

Delta 0,5 – 4 Hz

Predomina no sono profundo.

Teta 4 – 8 Hz

Aparece na sonolência e no sono leve.

Alfa 8 – 13 Hz

Típico do repouso com os olhos fechados.

Beta 13 – 30 Hz

Associado ao estado de alerta e à atenção.

O eletroencefalograma separa a atividade elétrica do cérebro em faixas de frequência. A leitura dessas faixas, em conjunto com o contexto clínico, é o que o médico interpreta no laudo.

Sistema 10–20

Onde ficam os eletrodos

A posição dos eletrodos não é escolhida no olho. Ela segue o sistema internacional 10–20, que mede a cabeça e distribui os pontos em proporções fixas entre referências anatômicas.

Cada posição recebe uma letra, que indica a região do cérebro — F de frontal, T de temporal, C de central, P de parietal e O de occipital —, e um número: ímpares à esquerda, pares à direita, e z na linha do meio.

É essa padronização que permite comparar o seu exame de hoje com um exame futuro, ou com um exame feito em outro serviço.

Sistema 10–20 de colocação de eletrodos Vista superior da cabeça, com o nariz acima e as orelhas nas laterais, mostrando as dezenove posições de eletrodo do padrão internacional 10–20: Fp1, Fp2, F7, F3, Fz, F4, F8, T3, C3, Cz, C4, T4, T5, P3, Pz, P4, T6, O1 e O2. Fp1 Fp2 F7 F3 Fz F4 F8 T3 C3 Cz C4 T4 T5 P3 Pz P4 T6 O1 O2
As posições seguem o sistema internacional 10–20, que distribui os eletrodos em proporção às medidas da cabeça de cada pessoa. O número de canais usado em cada exame é definido pelo protocolo da indicação clínica.

Indicações

Para que o exame é solicitado

A indicação é sempre do médico que acompanha você. Entre as situações em que o eletroencefalograma costuma ser pedido estão:

  • Investigação de crises epilépticas e acompanhamento de epilepsia já diagnosticada.
  • Avaliação de episódios de perda de consciência, desmaios e eventos paroxísticos de causa indefinida.
  • Apoio na investigação de encefalopatias e de alterações agudas do nível de consciência.
  • Avaliação de alterações do sono e de queixas neurológicas selecionadas, quando há indicação médica.
  • Acompanhamento da resposta ao tratamento em quadros neurológicos específicos.

Esta lista é informativa e não esgota as indicações possíveis. Apenas o médico que avalia o seu caso pode definir se o exame é indicado e qual protocolo seguir.

O EEG é

  • Um registro da atividade elétrica espontânea do cérebro ao longo do tempo.
  • Um exame funcional: mostra como o cérebro está funcionando naquele período de registro.
  • Um apoio ao raciocínio clínico do médico que solicitou o exame.

O EEG não é

  • Não é um exame de imagem: não mostra a anatomia do cérebro, como fazem a tomografia e a ressonância.
  • Não mede inteligência, personalidade, emoções nem pensamentos.
  • Não aplica corrente elétrica no paciente em nenhum momento.
  • Um traçado sem alterações não exclui, por si só, todos os diagnósticos; e uma alteração isolada não fecha diagnóstico sem o contexto clínico.

Segurança

Riscos e desconforto

O eletroencefalograma de rotina é um exame de baixo risco. Ainda assim, vale saber o que esperar:

Não dói

Os eletrodos são apoiados sobre a pele com pasta condutora. Não há agulhas, cortes nem choque.

Não usa radiação

O EEG apenas registra a atividade elétrica que o próprio cérebro produz. Não há contraste nem radiação ionizante.

Não invasivo

Todo o registro é feito na superfície do couro cabeludo, por fora, sem nenhum procedimento invasivo.

Para todas as idades

O exame pode ser realizado de crianças a idosos, com o protocolo e o acompanhamento ajustados a cada caso.

Quanto tempo leva

O registro de um eletroencefalograma de rotina costuma levar de 20 a 40 minutos. Somando o preparo, a medição da cabeça, a colocação dos eletrodos e a retirada, reserve mais tempo do que a duração do registro. Protocolos específicos, como os que incluem registro durante o sono, são mais longos, e o tempo é definido pelo pedido médico.

Avise antes do exame

Se você tem crises desencadeadas por luz, está grávida, tem feridas ou cirurgia recente na cabeça, ou usa algum dispositivo implantado, informe no agendamento. Algumas manobras de ativação exigem cuidado adicional.

Dúvidas

Sobre o exame e o resultado

Preciso de pedido médico para fazer o EEG?

Sim. O eletroencefalograma é um exame complementar e é realizado mediante indicação médica. O pedido traz o protocolo a ser seguido e o motivo clínico da investigação, informações que o médico usa depois para interpretar o traçado.

Qual a diferença entre EEG, tomografia e ressonância?

O eletroencefalograma é um exame funcional: ele registra, ao longo do tempo, a atividade elétrica que o cérebro produz. Mostra como o cérebro está funcionando durante o período de registro.

A tomografia e a ressonância magnética são exames de imagem: mostram a estrutura e a anatomia do cérebro. Eles respondem a perguntas diferentes e, em muitos casos, são complementares ao EEG, não substitutos.

Um eletroencefalograma normal descarta epilepsia?

Não necessariamente. O eletroencefalograma registra um intervalo de tempo determinado, e alterações podem não ocorrer justamente durante aquele registro. Um traçado sem alterações, isoladamente, não exclui o diagnóstico.

Por outro lado, uma alteração isolada no traçado também não fecha diagnóstico. O resultado só tem sentido interpretado em conjunto com a história clínica, o exame neurológico e os demais exames — e essa leitura é do médico que acompanha você.

Quem interpreta o resultado do meu exame?

O traçado é analisado e laudado por médico, que o interpreta sempre em conjunto com as informações clínicas e com o motivo do pedido.

A conduta a partir do laudo é definida pelo médico que solicitou o exame, em consulta. O laudo não é, por si só, uma orientação de tratamento.

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Próximos passos

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As informações deste site são educativas e não substituem a avaliação de um médico.

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